R. Bras. Zootec.01/jan/2009;38(1):203-13.

A caprinocultura leiteira na agricultura familiar: índices zootécnicos e econômicos de um estudo de caso no estado do Rio de Janeiro, Brasil

Ricardo Augusto Mendonça Vieira, Artur José Cabral, Paulo Marcelo de Souza, Alberto Magno Fernandes, Douglas Sampaio Henrique, Gabriela Soares Carvalho Pamplona Corte Real

DOI: 10.1590/S1516-35982009000100025

Dois sistemas de produção de caprinos leiteiros praticados de acordo com o modelo familiar foram avaliados quanto à geração de renda. Um teste para verificação de viabilidade econômica do empreendimento foi executado utilizando-se dados coletados de agosto de 2004 a julho de 2005. As fazendas, denominadas A e B, eram pequenas propriedades produtoras de cabras Saanem em sistema intensivo. Índices de rebanho, rendas, impostos, combustível, energia, concentrado, custos de oportunidade e capital de interesse foram computados para estimação da renda líquida e da taxa de retorno do capital para avaliação do quanto o negócio pode ser atraente em geração de renda. Os índices de rebanho foram afetados significativamente pelas decisões tomadas pelos administradores e interferiram sobre as quantidades e tendências relacionadas à produção de leite. Na unidade B, a variação sazonal reduziu com a indução de cio, uma prática não realizada na unidade A. O ganho de peso diário das cabritas após a desmama (89 e 76 g/dia para A e B) foi baixo em comparação às recomendações atuais. As médias dos registros de lactação (441 e 606 L/cabra) e fertilidade (86,95 e 85,71%) estiveram nos limites preconizados na literatura. Tarefas diárias na unidade B consumiam 5 horas e 55 minutos para produção média de leite de 40,9 L/dia, enquanto na unidade A correspondiam a 8 horas e 16 minutos diários para produção média de 32,2 L/dia. A unidade B apresentou custo total de produção (R$ 0,79548/L) menor que o da unidade A (R$ 1,50239/L), mas operava de forma lucrativa. A unidade A apresentou margem bruta positiva (R$ 0,284/L), mas não operava de forma lucrativa. A renda gerada em B era equivalente a um salário mensal de R$ 732,96 (US$ 278,52), renda competitiva se comparada ao salário mínimo brasileiro, de R$ 300,00 (US$ 114,00) por mês. Estes resultados corroboram a hipótese de que a produção de caprinos leiteiros serve adequadamente ao modelo de produção familiar e gera renda competitiva.

A caprinocultura leiteira na agricultura familiar: índices zootécnicos e econômicos de um estudo de caso no estado do Rio de Janeiro, Brasil

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